quinta-feira, 7 de julho de 2011

"A Europa deixou-se pendurar na Loja dos Trezentos...dos americanos."

Muito bom este editorial de Pedro Santos Guerreiro do Jornal de Negócios. Vale mesmo a pena ler para termos noção das consequências que Portugal pode sofrer depois da Moodys nos colocar numa posição de "lixo", sem sequer ter em conta as alterações que o Governo de Passos Coelho tem vindo a apresentar. Mesmo sendo meramente especulativa, esta avaliação já está a causar grandes estragos. É necessário fazer algo contra isto, e a Europa parece não estar para aí virada. Como diz Pedro Santos Guerreiro, "a Europa deixou-se pendurar na Loja dos Trezentos... dos americanos". E isso não pode acontecer.

"Choque. Escândalo. Lixo. Resignação? Não. Mas sim, lixo, somos lixo. Os mercados são um pagode, e nós as escamas dos seus despojos.
Isto não é uma reacção emotiva. Nem um dichote à humilhação. São os factos. Os argumentos. A Moody's não tem razão. A Moody's não tem o direito. A Moody's está-se nas tintas. A Moody's pôs-nos a render. E a Europa rendeu-se.

As causas da descida do "rating" de Portugal não fazem sentido. Factualmente. Houve um erro de cálculo gigantesco de Sócrates e Passos Coelho quando atiraram o Governo ao chão sem cuidar de uma solução à irlandesa. Aqui escrevi nesse dia que esta era "a crise política mais estúpida de sempre". Foi. Levámos uma caterva de cortes de "rating" que nos puseram à beira do lixo. Mas depois tudo mudou. Mudou o Governo, veio uma maioria estável, um empréstimo de 78 mil milhões, um plano da troika, um Governo comprometido, um primeiro-ministro obcecado em cumprir. Custe o que custar. Doa o que doer. Nem uma semana nos deram: somos lixo.

As causas do corte do "rating" não fazem sentido: a dificuldade de reduzir o défice, a necessidade de mais dinheiro e a dificuldade de regressar aos mercados em 2013 estão a ser atacadas pelo Governo. Pelo País. Este corte de "rating" não diagnostica, precipita essas condenações. Portugal até está fora dos mercados, merecia tempo para descolar da Grécia. Seis meses, um ano.

Só que não é uma questão de tempo, é uma questão de lucro, é uma guerra de poder. Esta decisão tem consequências graves e imediatas. Não apenas porque o Estado fica mais longe de regressar aos mercados. Mas porque muitos investidores venderão muitos activos portugueses. Porque é preciso reforçar colaterais das nossas dívidas. Porque hoje todos os nossos activos se desvalorizam. As nossas empresas, bancos, tudo hoje vale menos que ontem. Numa altura de privatizações. De testes de "stress". Já dei para o peditório da ingenuidade: não há coincidências. Hoje milhares de investidores que andaram a "shortar" acções e dívidas portuguesas estão ricos. Comprar as EDP
e REN será mais barato. Não estamos em saldos, estamos a ser saldados. Salteados.

Portugal foi um indómito louco, atirou-se para um precipício, agarrou-se à corda que lhe atiraram. Está a trepar com todas as forças, lúcido e humilde como só alguém que se arruína fica lúcido e humilde. Veio a Moody's, cuspiu para o chão e disse: subir a corda é difícil - e portanto cortou a corda.

Tudo isto não é por causa de Portugal, é por causa da guerra entre os EUA e a Europa, é por causa dos lucros dos accionistas privados e nunca escrutinados das "rating". Há duas semanas, um monumental artigo da jornalista Cristina Ferreira no "Público" descreveu a corrosão. Outra jornalista, Myret Zaki, escreveu o notável livro "La fin du Dollar" que documenta o "sistema" de que se alimentam estas agências e da guerra dólar
/euro que subjaz.

Ontem, Angela Merkel
criticou o poderio das agências e prometeu-lhes guerra. Não foi preciso 24 horas para a resposta: o aviso da Standard & Poors de que a renovação das dívidas à Grécia será considerado "default" selectivo; a descida de "rating" da Moody's para Portugal.

Estamos a assistir a um embuste vitorioso e a União Europeia
não é uma potência, é uma impotência. Quatro anos depois da crise que estas agências validaram, a Europa foi incapaz de produzir uma recomendação, uma ameaça, uma validação aos conflitos de interesse, uma agência de "rating" europeia. Que fez a China? Criou uma agência. Que diz essa agência? Que a dívida portuguesa é BBB+ (semelhante ao da canadiana DBRS: BBB High). Que a dívida americana já não é AAA. Os chineses têm poder e coragem, a Europa deixou-se pendurar na Loja dos Trezentos... dos americanos.

Anda a "troika" preocupada com a falta de concorrência em Portugal... E a concorrência ente as agências de "rating"? Há dois dias, Stuart Holland, que assinou o texto apoiado por Mário Soares
e Jorge Sampaio por um "New Deal" europeu, disse a este jornal: é preciso ter os governos a governar em vez das agências de 'rating' a mandar.

Não queremos pena, queremos justiça. A Europa fica-se, não nos fiquemos nós. O Banco Central Europeu tem de se rebelar contra esta ditadura. Em Outubro, o relatório do Financial Stability Board, que era liderado por Mário Draghi, aconselhava os bancos e os bancos centrais a construírem modelos próprios para avaliarem a eligilibidade dos instrumentos financeiros por estes aceites e pôr termo ao automatismos das avaliações das agências de rating. Draghi vai ser o próximo presidente do BCE
. Não precisa de acabar com as agências de "rating", precisa de levantar-se destas gatas.

Este corte de "rating" é grave. É uma decisão gratuita que nos sai muito cara. Portugal é o lixo da Europa. As agências de "rating" são os cangalheiros, ricos e eufóricos, de um sistema Linkridiculamente inexpugnável. As agências garantem que nada têm contra Portugal. Como dizia alguém, "isto não é pessoal, apenas negócios". Esse alguém era um padrinho da máfia."


Pedro Santos Guerreiro, in Jornal de Negócios

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Caminhada - Day 2

A preguiça tentou apoderar-se de mim mas não conseguiu. 45 minutos de caminhada em passo acelerado. Mas com uma novidade. Vários exercícios com os braços (poucos para começar) a levantar uma garrafa de água de 1litro, 1 minuto para cada exercício. Parece que não mas custa. Ufa!

Quem por nós passava também devia achar piada ao nosso desporto ao ar livre :)
E é nestas alturas que me apetece dizer muuuiiitos palavrões...LIXO?? Com que então NÓS SOMOS LIXO??? 'Rais parta' a Moodys pah!!!
Ontem retomei as minhas caminhadas à noite. Dá preguiça de sair de casa no fim de jantar mas depois sabe mesmo bem. Passo relativamente acelerado, o cheiro a maresia que tão bem faz à nossa saudinha. Até vou dormir com outra disposição.:) Hoje tenho que vencer a preguiça outra vez e "fazer-me à estrada" mais 45 minutos.

Novo Hobby. Que tal? :)



3 Hands

A primeira pregadeira que fiz. Que acham? :)

Para mais informações enviar email para handswithart@gmail.com
Há ofertas de emprego que irritam de tão ridículas que são...

terça-feira, 5 de julho de 2011

Londres - Day 2

Ora, tendo em conta que só tínhamos mais um dia de mini-férias, o que faltava mostrar à C.? Em primeiro lugar, e muito importante, faltava-nos provar o verdadeiro pequeno-almoço inglês. Fala-se tanto destes pequenos-almoços ingleses nos hotéis, onde se vê toda aquela comida logo de manhã e nos perguntamos como é que eles conseguem comer aquilo tudo mal acordam. Mas feito por uma verdadeira inglesa é completamente diferente. Duas torradas com manteiga, um ovo estrelado por cima, rodeado por tomates cherry cozinhados, uns cogumelos salteados, um pouco de salada e, claro, um pouco de feijões. Tudo em quantidade q.b. Nada de exageros. Claro está que só comemos este pequeno-almoço impróprio para quem está de dieta, ao final da manhã, depois de já termos acordado há algum tempo. Nunca consigo comer muito logo de manhã mas o meu estômago abriu uma excepção mal viu a A. começar a cozinhar. E que maravilha de pequeno-almoço!!! (faltou a fotografia para mostrar - grande falha)

Em segundo lugar, mas também importante, faltava-nos visitar os vizinhos portugueses da A. Bonita coincidência os vizinhos dela serem da mesma nacionalidade que nós. Assim a A. tinha mais um motivo para se lembrar das suas amigas portuguesas sempre que estivesse com eles. Ela acabou por criar uma relação de amizade com essa família e nós, como não poderia deixar de ser, fomos fazer uma visita aos novos amigos portugueses da nossa anfitriã. E que bela surpresa tivemos. Uma família muito simpática, acolhedora como só o verdadeiro português sabe ser e de uma simplicidade...Pois que acabámos por perder a hora a conversar e ainda tanta coisa havia para ver e não queríamos andar a correr...


A primeira paragem foi no Borough Market. Adoro estes mercados, onde temos tudo e mais alguma coisa à venda, com óptimo aspecto e com a possibilidade de ir provando um pouco de cada coisa.

Depois de aberto o apetite, almoçámos no Pizza Express antes de seguir caminho para a Tower Hill. Passámos pela London Bridge, e antes de irmos para o destino final, parámos para ver o ensaio de uma peça de teatro que se estava a realizar lá perto. O tempo convidava a essas paragens e como todas queríamos um dia sem pressas, sem stresses e apenas com muito boa disposição, deixámo-nos ficar a ver a peça. Seguindo caminho para a imponente Tower Hill e tiradas as fotografias da praxe, continuámos a viagem.

Como os jardins de Londres são irresistíveis, lá tivemos que parar em mais um para relaxar e descansar antes do jantar. Mas com uma companhia especial.


A garrafa de Vinho do Porto Rosé que levámos de presente para a A. foi a nossa companhia para uma conversa sentadas no jardim. A verdadeira conversa onde rimos, chorámos (literalmente, mas de tanto rir), e descansámos. Tudo o que eu pedia antes de ir para Londres. Aquelas conversas descontraídas, aquelas gargalhadas contagiantes, aquelas cumplicidades que não tínhamos com mais ninguém. E dei por mim a olhar para essas amigas e agradecer o facto de elas existirem na minha vida. Porque poucas coisas são tão certas quanto elas continuarem na minha vida e poucos momentos me fazem sentir tão bem como eu me sentia naquele.


Nostalgias à parte, o dia estava a acabar e as nossas caras já davam mostras disso. Fomos jantar a um restaurante persa, muito giro, com uma decoração típica e uma comida óptima, o verdadeiro manjar dos deuses. O problema foi mesmo conseguir comer tudo o que tínhamos no prato (olhar para aqueles pratos fez-me pensar automaticamente "prepara-te porque depois deste fim de semana vais ter que ficar de dieta o resto do ano"). A comida como se vê na imagem em baixo, tinha uma aspecto muito bom, mas era ainda melhor. Mas o que gostei mais foi mesmo o pão (na foto em cima) confeccionado de uma forma muito tradicional, é a primeira coisa que se vê quando se entra no restaurante - um senhor a fazer o pão na hora - tornando-se num óptimo cartão de visita.

E foi assim que o nosso dia e a nossa viagem terminou. Sem forças para mais, regressámos a casa logo depois do jantar. Já cansadas só de imaginar as malas que ainda tínhamos que acabar de fazer e as poucas horas que tínhamos para dormir. Cama à 1h da manhã, despertador para as 3h30. O táxi estava à porta de casa às 4h e o nosso voo era às 6h30. Só de me lembrar já fico cansada outra vez. Claro está que o domingo foi reservado inteiramente para dormir. Mas apesar do cansaço, tudo valeu a pena. Foi gratificante, fortalecedor e deu para recuperar energias. Sem dúvida, uma viagem a repetir, com a melhor companhia que poderia ter.